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Ambiental

Fiesp realiza reunião virtual para entender de que forma acelerar o uso dos biocombustíveis na matriz energética do país

 

O Brasil possui a matriz energética menos poluente entre os maiores consumidores globais no mercado de combustíveis, de acordo com relatório da AIE (Agência Internacional de Energia)

 

O ato de observar o céu de São Paulo em tempos de isolamento devido à pandemia do novo coronavírus vem revelando novidades. A cor azul mais intensa é uma resposta da atmosfera mais limpa com a qual estamos convivendo. Antes do período de isolamento social, que vem sendo marcado pelo trabalho remoto e pelas reuniões virtuais, ou seja, menos automóveis e aviões em atividade, o céu paulistano ostentava um aspecto diferente. O dióxido de nitrogênio, composto químico formado pelas reações de combustão dos motores que queimam por explosão, ofuscava alguns dias com uma gradação de laranja. Ao mesmo tempo, era possível enxergar uma manta cinza e marrom quase permanente sobre a cidade.

Tal mudança na aparência do horizonte paulista traz consequências importantes para a saúde da população. E, como a pandemia irá passar e com seu término provavelmente o cotidiano das grandes cidades brasileiras retornará ao seu ritmo, a Fiesp resolveu convidar especialistas e autoridades para entender o que precisa ser feito para acelerar o uso de biocombustíveis na matriz energética brasileira.

O debate virtual aconteceu durante reunião conjunta dos Conselhos Superiores do Meio Ambiente (Cosema) e do Agronegócio (Cosag) e contou com a participação do presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

Biocombustíveis são fontes de energia consideradas alternativas, por serem de caráter renovável e apresentarem baixos índices de emissão de poluentes para a atmosfera. São fontes de energia consideradas alternativas, por terem um caráter renovável e apresentarem baixos índices de emissão de poluentes para a atmosfera.

Em geral, tais fontes de energia costumam ser produzidas a partir de produtos agrícolas ou vegetais, como a cana-de-açúcar, o milho, a mamona, entre outras matérias-primas. Os principais tipos de biocombustíveis atualmente utilizados são o etanol e o biodiesel.

“Estamos realizando este debate para entender quais são os entraves de termos um retorno à vida normal com maior aplicação, por exemplo, de etanol nos nossos veículos para que a gente possa manter a qualidade do ar e a saúde das pessoas. Além de valorizar e incentivando esse produto que é tão brasileiro”, reforçou Skaf.

O Brasil possui a matriz energética menos poluente entre os maiores consumidores globais no mercado de combustíveis. A informação é do relatório divulgado pela AIE (Agência Internacional de Energia). Isso se dá em função da aplicação da bionergia nos transportes e na indústria e da hidroeletricidade, no setor elétrico.

O presidente do Cosema, Eduardo San Martin, lembrou números importantes e alarmantes quando o assunto é a poluição em São Paulo. Por ano, 4 mil pessoas morrem na cidade de São Paulo por problemas decorrentes da poluição do ar. No estado, o número chega a 15 mil. “A aplicação massiva dos biocombustíveis vão contribuir muito para que a gente possa melhorar radicalmente a qualidade do ar que respiramos. Nós já temos a tecnologia, já sabemos como fabricar, utilizar”, reforçou.

Jacyr Costa, presidente do Cosag, pontuou a importância de levantar a discussão para que seja possível identificar os entraves existentes que impedem a utilização acelerada desse tipo mais limpo de combustível. “Com a reunião de hoje, a nossa intenção é realmente conhecer os entraves para universalizar o uso dos biocombustíveis”, explicou. Um dos expositores do encontro, Plínio Nastari, que é fundador e presidente da Datagro, listou os elementos essenciais de uma política eficiente para os biocombustíveis. Entre os pontos, estabilidade e segurança regulatória, economia na operação para atrair investimentos, estímulo ao desenvolvimento e aplicação de inovações. “Uma das questões mais importantes é a compreensão, por parte dos gestores públicos e dos demais agentes que atuam no setor, de que mais do que energia integrada à produção de alimentos, biocombustíveis representam uma estratégia de desenvolvimento econômico e social”, completou. 

O Brasil tem três grandes regulações ou programas implantados para o controle de emissões e a promoção de maior eficiência energética no setor de energia para transporte. São eles: Proconve, RenovaBio e Rota2030. Tais programas precisam ser coordenador e coerentes entre si.

Economia com a importação de gasolina, geração de mais de 870 mil empregos diretos e de 2 milhões de empregos indiretos, maior sustentabilidade e longevidade para o uso de derivados de petróleo, fortalecimento e apoio à indústria automotiva local, além do aumento do PIB per capita de UU$ 1098 nas cidades onde o etanol é produzido são algumas das vantagens de utilizar os biocombustíveis.

Ao final de sua exposição, Nastari reforçou medidas que precisam ser levadas em conta no país no que diz respeito ao setor. Uma delas é considerar, simultaneamente, os objetivos das políticas energética, ambiental, industrial e de desenvolvimento econômico e social. “É preciso ter uma visão estratégica para o futuro da mobilidade no Brasil. Temos tudo para fazer com que a produção e utilização dos biocombustíveis continuem em alta. É necessário que as regulações sejam coerentes e alinhadas e que seja feito um planejamento de longo a médio prazo”, completou.

Miguel Ivan de Oliveira, diretor do Departamento de Biocombustíveis (DBIO), do Ministério de Minas e Energia, fez críticas à carência de pesquisas técnicas no setor e explicou o que é preciso superar para que o RenovaBio tenha uma atuação ainda mais forte. “Precisamos criar uma disciplina específica que, ao mesmo tempo, assegura a arrecadação tributária sobre as operações, mas sem onerá-las excessivamente. O que vai permitir um ciclo virtuoso de investimentos na expansão da produção de biocombustíveis e descarbonização”, informou.

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin foi um dos convidados do encontro. Ele é considerado um incentivador do uso de combustíveis “mais limpos”, já que reduziu o ICMS do álcool hidratado carburante de 25% para 12% em 2003 e colocou em circulação no estado os primeiros ônibus híbridos. Alckmin fez um alerta importante no que diz respeito à saúde das populações. “Esta discussão promovida pela Fiesp é muito importante para a prevenção e promoção da saúde das populações. A poluição é um problema sério e que traz consequências graves”, finalizou.

 

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